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16 de fevereiro de 2026

Ana Flasker: Consistência acima da perfeição

Sobre curiosidade, treinamento inteligente e aprender a ter um bom desempenho mesmo quando a temporada não é perfeita.

Ana Flašker faz parte da Arduua comunidade por vários anos, treinando com Arduua Treinador David Garcia. Conhecida por sua consistência e abordagem tranquila às corridas, a temporada recente de Ana parecia promissora para quem a observava de fora — mas, como ela explica, estava longe da perfeição.

“Ter estrutura e alguém apoiando seus objetivos faz toda a diferença. Às vezes é preciso persistir, outras vezes é preciso parar e descansar — ​​e aprender a confiar nisso.”
— Ana Flasker, Equipe Arduua

Quando nos sentamos para conversar, Ana logo questionou a narrativa de uma "temporada de sucesso".

"Eu não diria que foi uma temporada de destaque, mas foi uma boa temporada... Aprendi que as coisas não precisam ser perfeitas para se ter sucesso."

Quem é Ana (além das corridas e dos resultados)?

Ana vive na Espanha há mais de dez anos e atualmente reside na Costa Tropical. Além da formação acadêmica, trabalha na área de TI como especialista em UX e acessibilidade — um trabalho que exige “bastante tempo em frente à tela”, como ela mesma diz — e concilia com a vida ao ar livre.

"Eu equilibro isso passando tempo ao ar livre, fazendo crochê e praticando kitesurf em dias de vento."

O esporte sempre fez parte da vida dela. Ela cresceu em uma família onde o movimento era essencial: caminhadas, ciclismo, esqui cross-country — e mais tarde vôlei, atletismo e corridas de aventura. Essa ampla experiência se reflete em seu treinamento atual: consistente, variado e resiliente.

Como começou sua jornada no trail running

Ana sempre amou a natureza e a corrida, e durante muito tempo correu simplesmente “para si mesma” — sem relógio, sem métricas, sem pressão.

A mudança ocorreu quando ela se mudou para Gran Canaria.

“Quando me mudei para Gran Canaria, comecei a levar isso mais a sério… Gosto de descobrir novos lugares e trilhas, e estou praticamente viciado em mapas, procurando trilhas (e estradas) que ainda não explorei.”

Essa curiosidade continua sendo uma de suas maiores motivações: explorar, colecionar trilhas e desenvolver o condicionamento físico quase como um subproduto da aventura.

Uma “boa temporada” — com mais obstáculos do que parecia.

Visto de fora, a temporada de Ana parecia tranquila: boas corridas, grande consistência, pódios.

Por dentro, a situação era tudo menos tranquila.

“Bem, acho que ninguém vive num mundo perfeito.”

Ela explica que também teve boas corridas em anos anteriores, mas o ano passado lhe ensinou algo novo: você não precisa de condições perfeitas para ter um bom desempenho.

“Aprendi muitas coisas novas; inclusive que as coisas não precisam ser perfeitas para se ter sucesso.”

Curiosamente, a última parte da temporada foi a mais agradável e a mais bem-sucedida — em parte porque ela aliviou a pressão, competiu mais por diversão e manteve-se flexível. Ela também participou de algumas corridas de ciclismo de estrada, mas com uma condição:

“Só participo das subidas, pois ainda gosto de ser uma tartaruga na descida.”

Os percalços ao longo do caminho: cirurgia, problemas estomacais e adaptação dos planos.

Quando questionada sobre contratempos, Ana apenas ri:

“Ufa.”

A temporada começou com uma pequena cirurgia pouco antes do Natal, seguida de um repouso obrigatório de três semanas. Isso a deixou com apenas cerca de seis semanas (incluindo o período de redução de treinos) para se preparar para uma corrida de 84 km com mais de 4000 metros de altimetria acumulada no final de fevereiro.

E ainda:

“A corrida, na verdade, correu surpreendentemente bem.”

A segunda corrida longa foi uma história diferente. O treino tinha corrido muito bem. Ela estava entusiasmada. Mas no dia da corrida, percebeu imediatamente que algo estava errado.

“Não foi minha primeira ultramaratona e conheço bem meu corpo, então sei quando algo está errado.”

Ela continuou mesmo assim — porque desistir simplesmente não fazia parte da sua mentalidade naquele dia — mas os problemas estomacais pioraram cada vez mais (e o dia estava extremamente quente). Mais tarde, o teste para H. pylori deu positivo e a recuperação levou meses.

“Demorei alguns meses para recuperar o estômago (e cancelar as férias prolongadas de verão).”

Isso também afetou a última corrida longa da temporada, forçando uma redução de última hora na distância, pois ela não confiava que seu estômago aguentaria mais de três horas de alimentação durante a prova.

Essa experiência a levou a uma profunda reflexão sobre nutrição — não apenas para corridas, mas também para a saúde no dia a dia.

Sua mentalidade durante todo o processo permaneceu notavelmente lúcida:

“Meu lema é sempre focar nas coisas que você pode fazer e não ficar preso pensando no que você não pode.”

Progressão a longo prazo: estrutura é mais importante que "mais".

Quando conversamos sobre como ela evoluiu como corredora de trilha, Ana sempre volta a uma palavra: estrutura.

Ela não descreve isso como uma transformação drástica de mentalidade. Para ela, o progresso tinha mais a ver com a criação de uma rotina e o uso de estrutura para alcançar um objetivo.

“Eu me acostumei com a rotina e com uma combinação de áreas específicas para velocidade, resistência e diversão… quando se trata de corridas de resistência, a consistência é fundamental.”

E este é um ponto que muitos corredores precisam ouvir:

“Para mim… tratava-se mais de adicionar estrutura para construir o caminho até o objetivo final.”

Não necessariamente mais treino. Não necessariamente mais intensidade. Apenas a estrutura certa, repetida consistentemente.

Como é o treinamento para Ana (vida real, não perfeição)

A rotina semanal de Ana é consistente e realista:

  • Ela faz alguma coisa quase todos os dias, com um dia de descanso.
  • Geralmente dois dias de bicicleta, reduzido para um mais próximo das corridas principais à medida que o volume de corridas aumenta.
  • 1–2 sessões de força por semana.
  • O resto está funcionando.

“Acho que não há muitos segredos sobre corridas de longa distância. Definitivamente, você precisa dedicar algumas horas… melhor ainda se for correndo, mas eu também já consegui com uma corrida por semana e o resto com treinamento cruzado.”

Ela também destaca algo que importa mais do que a maioria das pessoas admite: flexibilidade de estilo de vida.

“Tenho bastante sorte de ter um horário de trabalho flexível, então posso sair durante a 'melhor' parte do dia…”

Treinar ao meio-dia no inverno, ao nascer do sol no verão — em horários que promovam o bem-estar, e não o estresse.

Treinando com Arduua E o treinador David Garcia: confiança, colaboração e (às vezes) descanso.

Ana treinou com Arduua e o treinador David Garcia por vários anos. Ela descreve o relacionamento como algo que precisava de tempo para se consolidar — especialmente a questão da confiança.

“No início, precisei de algum tempo para me adaptar e conquistar a confiança.”

Mas é também isso que faz com que funcione agora.

“É bom ter alguém que apoie seus objetivos na corrida e que te faça parar para descansar de vez em quando ou se concentrar em outras coisas.”

Ela é sincera sobre a parte mais difícil:

“Ainda acho difícil ouvir 'tire uma semana de folga'...”

Mas ela também reconhece a verdade de que corredores experientes aprendem da maneira mais difícil:

“…mas, olhando para trás, sei que era necessário.”

A palavra que ela usa e que mais importa é colaboração.

“Ele está muito envolvido no meu treinamento. Acho que colaboramos muito bem.”

Olhando para 2026: distâncias maiores e novas lições.

Este ano, Ana está se concentrando em distâncias um pouco maiores — mais de 100 km.

“Este ano vou tentar uma distância um pouco maior (mais de 100 km), então vamos ver como corre.”

A temporada dela começa cedo com Transgrancanária em março, seguido por La Restonica Em julho. O segundo semestre ainda está em aberto.

Em termos de mudanças no treinamento, ela não está buscando novidades apenas por buscar novidades:

“Provavelmente não vai mudar muita coisa, a menos que o David invente algo novo ou faça um experimento 🙂 haha.”

Eles encontraram um equilíbrio que funciona — em todos os esportes, carga e recuperação — e o plano é continuar aprendendo corrida a corrida:

“Aprendemos algo em cada corrida e tentamos identificar o que funcionou ou não, ou o que faltou, para que possamos incorporar isso no próximo bloco de treinos.”

Conselho para outros corredores: consistência, trabalho de força e aproveitar o processo.

O conselho de Ana é simples — e eficaz.

“Para melhorar e ficar mais rápido, você terá que se esforçar. Ser consistente e, talvez, ir à academia de vez em quando é o principal caminho. E, muito importante, aproveitar o processo.”

Ela também compartilha uma lição que gostaria de ter aprendido antes: que treinamento e estrutura não significam automaticamente "mais" ou "mais difícil".

“Eu estava muito hesitante em contratar um treinador ou um plano de treinamento… Provavelmente não consigo correr mais do que corri antes e também não quero ficar mais cansada.”

Agora ela vê as coisas de forma diferente:

“Mais quilômetros rodados nem sempre significam melhor desempenho.”

E ela termina com uma das frases mais "Ana" da entrevista — liberdade e disciplina em partes iguais:

“Também estou muito feliz por não haver voltas intermináveis, e não é um grande problema se 3 horas se transformarem em 4 horas em um dia agradável.”

Obrigada, Ana.

A história de Ana nos lembra que temporadas boas nem sempre são temporadas tranquilas — e que a verdadeira habilidade não está em evitar contratempos, mas em se adaptar a eles com estrutura, consistência e uma mentalidade focada no que é possível.

Estamos ansiosos para acompanhar a temporada de 2026 de Ana com o técnico David Garcia — da Transgrancanaria à La Restonica e quaisquer outras aventuras que vierem a seguir.

Considerações finais

A história de Ana nos lembra que o progresso no trail running raramente vem de temporadas perfeitas ou de uma preparação impecável. Ele vem da consistência, da curiosidade e da capacidade de adaptação quando as coisas não saem como planejado — confiando no processo mesmo quando o caminho fica um pouco complicado.

Ao vislumbrar distâncias maiores e novos desafios, uma coisa é clara: a força de Ana reside não apenas em sua capacidade física, mas também em sua abordagem calma e reflexiva aos treinos e às competições. Ela aprende com cada bloco de treino, cada prova e cada revés — e leva esses ensinamentos adiante.

Estamos animados para acompanhar a jornada de Ana na próxima temporada ao lado do técnico David Garcia e para ver aonde sua curiosidade e consistência a levarão.

Se você está lendo isto e se identifica com partes da sua própria jornada — dúvidas sobre estrutura, equilíbrio, recuperação ou progresso a longo prazo — saiba que não precisa descobrir tudo sozinho. Com a orientação, o planejamento e o apoio certos, é possível treinar de forma mais inteligente, manter-se saudável e aproveitar o processo.

Se você gostaria de saber mais sobre Arduua Se você precisa de treinamento ou de ajuda para encontrar a estrutura ideal para alcançar seus objetivos em corridas de trilha, entre em contato conosco — teremos prazer em ajudar.

Entrevista por Katinka Nyberg, CEO e fundadora da Arduua, katinka.nyberg@arduua.com

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